Na Fronteira - Border (Gräns)

Na Fronteira – Border (Gräns)

7 Março, 2019 0 Por Laura Carvalho

Na Fronteira (“Border”), realizado por Ali Abbasi, é baseado na obra homónima de Ajvide Lindqvist.

Produzido e estreado em 2018, chega até nós um filme cativante, excêntrico, dramático e fantasioso. Nomeado para os Óscares na categoria de melhor maquilhagem e penteados, conta também com inúmeros prémios e nomeações, nos mais ilustres festivais e cerimónias cinematográficos, traduzindo-se num dos grandes sucessos de 2018.

O filme capta a vida de Tina (Eva Melander), intimamente, quase perpetuando o nosso olhar sobre a personagem.

Na Fronteira - Border (Gräns)

É a partir da forma como a fotografia joga com as cores e sombras, que nos é dado a identificar os mais pequenos pormenores da atriz principal. Não obstante, Tina, não nos deixa entrar no seu mundo à partida, fechando uma cortina opaca à sua frente, que só se vai abrindo com a evolução da trama, e da própria personagem.

Com cenários de fundo nos bosques suecos, cria-se uma máquina de suspense, horror, mas mais que isso, pura fantasia e Sci Fi, numa associação brutesca com um realismo exacerbado.

Na Fronteira - Border (Gräns)

Tina vive numa pequena cabana com Roland, criador de cães para luta (Jörgen Thorsson), cuja relação aparenta ser incerta e dúbia, por vezes. Tina é uma mulher com características físicas e psíquicas muito particulares: com a face desfigurada, os dentes tortos, o cabelo áspero e frisado, ostenta no seu corpo cicatrizes do passado. Aquela que é a mais intensa característica que irá marcar a personagem durante todo o filme, é a sua capacidade sobre-humana de faro, e os sentidos híper apurados, que enquanto funcionária alfandegária, os porá em prática. Essa capacidade levou-a a descobrir um cartão com conteúdo pornográfico infantil, e a colaborar com a polícia para deslindar a origem dos vídeos.

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Num dos seus turnos, conhece um homem caricato com características tanto físicas, como psicológicas bastante semelhantes ás suas. Vore (Eero Milonoff), é um viajante que prendeu a atenção de Tina, inicialmente com o objetivo de revistar a mala que transportava. Mas, a curiosidade e o interesse aumentaram, desenvolvendo uma relação algo dual: as parecenças atraíram Tina, para procurar abrigo em alguém que a iria compreender; no entanto, há uma clara atração física, e uma paixão fulminante que cresce dentro de ambos.

Vore, vai levar Tina a visitar o lado mais obscuro da existência de ambos: o cromossoma que os transfigura, que lhes permite ter os sentidos tão apurados, e uma enorme proximidade com o mundo animal.

Na Fronteira - Border (Gräns)

Há algo de selvagem em ambos, que os leva a correr na mata nus, banharem-se nas águas cristalinas dos lagos suecos, e uivarem. Mas, Tina, vive na fronteira: perfeitamente estabelecida enquanto membro da sociedade, empregada, com uma casa, e carro, distancia-se em muito da vida nómada e dos hábitos irracionais de Vore. Viver no limiar de dois mundos, duas realidades distintas, leva Tina a questionar a própria existência, e a por em causa o amor do seu pai (Sten Ljunggren).

Fugir com Vore, ou cumprir a sua missão moral? Tina reflete, e analisa racionalmente ambas as possibilidades, nunca perdendo o seu amor por Vore.

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Na Fronteira - Border (Gräns)

Ainda assim, a realidade mais abrupta, a verdade mais chocante, escondiam-se por trás da figura de ternura, que Vore representava para Tina. O final da trama está eminente, mas nem no último segundo Ali Abbasi nos deixa respirar de alívio. Sem dúvida, um filme de cortar a respiração, mas também nos fazer apaixonar pela vida e pelas suas imperfeições.

Nos cinemas a dia 7 de Março.

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Laura Carvalho

Licenciada em História da Arte, apaixonada por arte e fotografia, com o lema: a vida só começa depois de um bom café, e uma pintura de Velázquez.
Laura Carvalho
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