Coimbra em Festa - Steve Coleman

Coimbra em festa

1 Outubro, 2019 0 Por Artes & contextos
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Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra

Steve Coleman (foto acima), Fred Frith, Joe McPhee, Michael Moore, Wilbert De Joode, Carlos “Zíngaro”, Rodrigo Amado, Susana Santos Silva e Gabriel Ferrandini são as cartas fortes da 17ª edição dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra. Em Outubro vamos ouvi-los, e a muitas outras propostas, em vários espaços da Cidade Universitária…

Este ano com um total de 16 concertos, o Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra propõe-se mais uma vez (a 17ª) cumprir, entre os próximos dias 18 e 27 de Outubro, a missão a que desde o início de propõe, «divulgar simultaneamente a riqueza da tradição e os muitos caminhos do futuro, abrindo portas à experimentação e à contaminação entre diferentes abordagens musicais». Para tal apresenta um programa que tem como cabeças-de-cartaz Steve Coleman com os seus Five Elements, Fred Frith em trio, o celebrado quarteto de Rodrigo Amado com Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano, a nata do jazz criativo que se pratica na Holanda, com Michael Moore e Wilbert De Joode na dianteira da comitiva escolhida pelo colectivo DOEK, e ainda, entre as várias participações portuguesas, as do consagrado Carlos “Zíngaro”, de Gabriel Ferrandini e das jovens integrantes do projecto Lantana.

Fred Frith

Fred Frith  ©Jazz.pt

A abertura faz-se, a 18 de Outubro, no Convento de S. Francisco, com o galego Alberto Conde a apresentar a homenagem a Bernardo Sassetti que este ano editou em disco com Carlos Barretto e Alexandre Frazão. O repertório inclui versões de temas do próprio Sassetti e outros inspirados no malogrado pianista. Depois, na mesma noite, mas no Salão Brazil, toca a primeira de várias formações com músicos holandeses, neste caso incluindo alguns nomes em destaque no nosso país. O Luso-Dutch Large Ensemble terá os préstimos de Carlos “Zíngaro”, Helena Espvall, Marcelo dos Reis, Jasper Stadhouders, Marta Warelis, Hugo Antunes, Wilbert De Joode, Michael Moore, John Dikeman, Luís Vicente e Onno Govaert. O concerto incluirá a interpretação de composições, bem como improvisações estruturadas e até conduzidas por alguns dos seus protagonistas.

Joe McPhee

Joe McPhee  ©Jazz.pt

No dia seguinte, a sucessão de actuações começa a meio da tarde, com um solo do guitarrista Jasper Stadhouders nos corredores da Rádio Universidade de Coimbra. Como é habitual com este membro dos Made to Break de Ken Vandermark, alguma sonoridade do rock estará em causa. O festival muda-se depois para o Museu Nacional Machado de Castro, para se ouvir um quarteto inédito com “Zíngaro”, Warelis, Espvall e dos Reis, num “gig” que se prevê decorrer algures entre o camerismo improvisado e a formulação de um “folclore imaginário”. Nele se revelará, com certeza, a muito jovem pianista de origem polaca Marta Warelis, figura cada vez mais em foco na cena de Amesterdão. Ainda com o sol a raiar, a Casa das Artes Bissaya Barreto recebe o duo de Michael Moore e Hugo Antunes. O saxofonista e clarinetista nascido na Califórnia, mas fixado na Holanda desde a década de 1980, tem um longo currículo que o colocou ao lado de Han Bennink e Ernst Reijseger no Trio Clusone ou de Fred Hersh e Mark Helias, pelo meio dedicando-se também a reinterpretar as canções de Bob Dylan sob a fórmula Jewels & Binoculars. O contrabaixista de Lisboa notabilizou-se tanto no “mainstream” do jazz como na música livremente improvisada, em associações com nomes como Agustí Fernandez, Paul Lovens, Giovanni Di Domenico e João Lobo.

Michael Moore

Michael Moore  ©Jazz.pt

À noite volta-se ao Convento de S. Francisco, onde se apresentam os Five Elements de Steve Coleman. São estes, para além do saxofonista líder, o trompetista Jonathan Finlayson, o “rapper” Kokayi (ouvimo-lo no Jazz em Agosto deste ano com Ambrose Akinmusire) e a secção rítmica de Anthony Tidd e Sean Rickman. Coleman é uma das personalidades maiores do jazz das últimas quatro décadas e também um dos seus grandes inovadores – desde o período do movimento M-Base, de que foi o principal mentor, vem colocando em prática um conceito que integra as diferentes vertentes musicais da diáspora afro-americana. E volta-se também, já perto da meia-noite, ao Salão Brazil, com o Twenty One Quartet de Dikeman, Vicente, De Joode e Govaert, já documentado em disco. O registo será de “fire music”, numa herança europeísta do legado vivo de Archie Shepp.

Wilbert De Joode (Sara Anke Morris)

Wilbert De Joode (Sara Anke Morris)  ©Jazz.pt

Jasper Stadhouders

Jasper Stadhouders  ©Jazz.pt

John Dikeman

John Dikeman  ©Jazz.pt

Susana Santos Silva

Susana Santos Silva  ©Jazz.pt

Rodrigo Amado

Rodrigo Amado  ©Jazz.pt

Lantana

Lantana  ©Jazz.pt

Maria Villanueva e Vânia Couto

Maria Villanueva e Vânia Couto  ©Jazz.pt

Alberto Conde

Alberto Conde  ©Jazz.pt

Ka Baird

Ka Baird  ©Jazz.pt

Porque é domingo, o dia 20 de Outubro terá apenas um concerto, com a prestação no Centro Norton de Matos da Orquestra de Jazz de Espinho, dirigida por Daniel Dias e Paulo Perfeito, com Mário Costa como convidado. O baterista do muito aclamado projecto Oxy Patina e do quinteto de Emile Parisien, com o qual, nestes últimos anos, conquistou o público e a crítica de França em concertos que tiveram como convidados Wynton Marsalis, Michel Portal e Joachim Kuhn, será o eixo de uma performance que ilustrará muito bem a relevância conquistada por esta “big band” nascida na Escola Profissional de Música de Espinho e que se vem dedicando a repertórios de autor e espectáculos multimédia e multidisciplinares.

Após uns dias de descanso, o Jazz ao Centro regressa a 25 de Outubro com uma mostra no Salão Brazil do resultado da residência artística que, no Verão passado, Maria Villanueva e Vânia Couto fizeram numa das aldeias do xisto, a Barroca, no contexto do XJazz, e que será brevemente publicado em CD. Com base nos cancioneiros tradicionais galego e minhoto, mas num formato em que o jazz está muito presente, as duas cantoras e guitarristas serão acompanhadas pelo vibrafone de Lucas de Centi, o baixo de Yoshida Carvalho e a percussão de Sandra Peréz. Uma corrida até ao Coola Boola Colab permitirá assistir logo depois à prestação das Lantana em variante de quinteto (Joana Guerra não poderá estar presente), com Maria do Mar, Helena Espvall, Maria Radich, Carla Santana e Anna Piosik a explorarem uma improvisação que tem tanto de paisagística quanto de imersiva. O grupo foi constituído na sequência de uma outra residência nas aldeias do xisto, há dois anos, em que do Mar, Radich e Guerra, entre outras, desenvolveram um intensivo trabalho com Joelle Léandre.

O serão desse mesmo dia arranca no Teatro Académico Gil Vicente com Fred Frith, acompanhado por Jason Hoopes no baixo eléctrico e Jordan Glenn na bateria, os mesmos que surgem no álbum “Closer to the Ground”. O guitarrista é outro dos ilustres desta edição dos Encontros de Coimbra, com um percurso que remonta aos anos 1970 com o grupo de rock Henry Cow e que passou pela sua participação nos Naked City de John Zorn. A música do trio assenta no som e na construção de texturas, optando por uma simplicidade de métodos que os resultados, sempre surpreendentes, contradizem. Uma nova mudança de cenário, para o Salão Brazil, fechará a noite com a apresentação ao vivo de outro trio, o de Susana Santos Silva no trompete com o saxofonista brasileiro Yedo Gibson e o baterista luso-catalão Vasco Trilla. O grupo esteve em gravações na Cidade Universitária, para um disco que terá como título “Fish Wool”.

As movimentações de dia 26 começam com Ka Baird em solo de voz, flauta e electrónica na Casa das Artes Bissaya Barreto, numa proposta de filiação dificilmente catalogável que tem a particularidade de recorrer a processamentos em tempo real. Ao mesmo tempo, decorre na Casa da Mutualidade uma sessão de poesia, com o nome declAMAR Poesia, dita por Vanda Ecm, Olga Coval, Catarina Matos, Lurdes Telmo e Rui Amado, com temática jazzística e o acompanhamento musical do violetista João Camões. Depois do jantar, Gabriel Ferrandini leva o seu “Volúpias” ao Salão Brazil, secundado pelo saxofonista Pedro Sousa e pelo contrabaixista Hernâni Faustino. Ouviremos pequenas peças em que está marcada a devoção do baterista do Red Trio e do Motion Trio de Rodrigo Amado pela história do jazz.

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O fecho do Jazz ao Centro de 2019 ocorre no domingo 27, no Centro de Artes Visuais, com outro momento especial, o do retorno aos nossos palcos, um ano depois da publicação de “A History of Nothing”, do quarteto de Rodrigo Amado com o histórico Joe McPhee (que ouviremos em saxofone soprano e trompete de bolso), o contrabaixista Kent Kessler e o baterista Chris Corsano. O que quer dizer que o festival termina com fogo-de-artifício e ambiente de festa. De referir ainda que estes Encontros serão antecedidos, a 10 de Outubro, por um concerto no Convento de São Francisco do vencedor do primeiro concurso Cena Jovem Jazz.pt, Miguel Rodrigues, com réplicas a 14 de Novembro e 12 de Dezembro…

 

 

 


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