Gemma Arterton and Elizabeth Debicki in Vita & Virginia (2018)

Vita & Virginia

2 Outubro, 2019 0 Por Laura Carvalho Torres
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Vita & Virginia um amor complexo

 

Realizado por Chanya Button, a partir do argumento de Eileen Atkins, Vita & Virginia, um filme com uma estética e uma paleta de cores minuciosamente cuidadas, abre-nos uma janela para o mundo da mítica e apaixonante Virgínia Woolf.

Elizabeth Debicki, no papel da protagonista, mostra-nos uma mulher de pensamentos profundamente complexos, interrogando o mundo que a rodeava e coroando-o com uma apreciação muito própria.

A sua natureza depressiva é, de forma gradual, revelada numa espiral descendente. Os momentos mais felizes eram incapazes de reparar a tristeza que em si pairava, de sofrimento psicológico e físico e que, de forma genial, Debicki soube encarnar.

Vita Sackville-West (Gemma Arterton), uma mulher que se nos apresenta independente e livre, moderna e cosmopolita, é uma escritora best-seller pertencente a uma elite aristocrata. Essa mesma posição social, condiciona-a muito na sua escrita e liberdade de publicação, visto que “a mulher independente e livre” depende, não só da aprovação, como do suporte financeiro da sua mãe (Isabella Rossellini).

Isabella Rossellini in Vita & Virginia (2018)

Isabella Rossellini in Vita & Virginia (2018)

Mãe de dois filhos, a relação com o marido Harold (Rupert Penry-Jones) revela-nos sobretudo uma amizade movida por interesses, em que cada um dorme no seu quarto e a vida íntima é passada com quiserem. No entanto, a sociedade de início do século XX, e o “dogma” da mulher que acompanhava o marido, encerram uma vida dupla, de uma mulher insatisfeita e carente.

Ambas escritoras, mas em mundos completamente diferentes, Virginia é um mistério aos olhos de Vita e esta sempre aspirou em conhecê-la e com ela privar.

No momento em que cruzam o olhar, na festa da irmã de Virginia, dá-se o início de uma história tão real que a tela é incapaz de conter, e onde a forma como Arterton e Debicki construíram a muralha de intimidade de Vita e Wolf, é tão arrebatadora que nos conforta e que nos faz sofrer com elas.

Gemma Arterton and Elizabeth Debicki in Vita & Virginia (2018)

Gemma Arterton and Elizabeth Debicki in Vita & Virginia (2018)

A paixão crescente leva-as a querer fugir das suas realidades, mas os possíveis horizontes dessa aventura, são bem díspares para cada uma delas.

Virginia, de fraca saúde mental, ama incondicionalmente Leonardo (Peter Ferdinando) e respeita-profundamente, sentindo-se grata pelo companheirismo e pelo suporte emocional que este sempre lhe proporcionou.

Vita, por outro lado, recorre a uma vida boémia e de encontros fortuitos, numa clara necessidade de se sentir amada, acima de tudo. Apesar da evidente importância que Virginia tem na sua vida, os sentimentos que por ela nutre não se lhe afiguram muito claros.

Virginia fica prostrada e vítima de bloqueios mentais na ausência de Vita, mas por outro lado a sua presença torna-se perniciosa, principalmente pelo imperativo de não magoar Leonard.

Após mais um desgosto, Virginia decide escrever uma biografia daquela relação com um nome ambíguo – Orlando: Uma biografia – e a inspiração flui na ponta da caneta, enquanto tingindo folhas, vai escrevendo páginas sem fim.

Elizabeth Debicki in Vita & Virginia (2018)

Elizabeth Debicki in Vita & Virginia (2018)

Mais do que um livro, foi uma necessidade de libertar aquela Vita – a nefasta e dolorosa – para ver com mais clareza a outra Vita – aquela que Woolf amava, mas que o seu íntimo repudiava.

Cenas intercaladas por focos literários, citações das obras de Virginia e monólogos criam um pano extenso que vai bem mais além de uma simples história de amor.

Uma história bem contada que se foca no romance entre duas mulheres tão diferentes, e que após a sua separação se mantiveram amigas até à morte de Virgina, em 1941.

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É impossível não nos deixarmos apaixonar por esta história e por estas duas mulheres tão incríveis e tão revolucionárias.

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Laura Carvalho Torres

Licenciada em História da Arte, apaixonada por arte e fotografia, com o lema: a vida só começa depois de um bom café, e uma pintura de Velázquez.
Laura Carvalho Torres
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