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A pintura de Miles Davis e as Influências de Kandinsky, Basquiat, Picasso e Joni Mitchell

8 Novembro, 2019 0 Por Artes & contextos

Miles Davis inspirado por Kandinsky, Basquiat, Picasso e Joni Mitchell

 

Poucos artistas viveram tantas vidas criativas quanto Miles Davis ao longo dos seus 65 anos, continuando a evoluir mesmo após sua morte com o lançamento póstumo de um álbum perdido, Rubberband no início deste ano. A capa do álbum, com uma pintura original do próprio Davis, pode ter direcionado os fãs para outra faceta da evolução artística do compositor / líder de banda / trompetista – a sua carreira como artista visual, que começou a sério, apenas uma década antes da sua morte em 1991.

“Durante o início dos anos 80”, escreve Tara McGinley no Dangerous Minds, Davis “fez com que a criação artística fizesse tanto parte de sua vida quanto escrever música… Dizia-se que não estava em turné, trabalhava todos os dias obsessivamente em arte ao mesmo tempo que estudava regularmente com a pintora de Novaiorquina Jo Gelbard. Nunca tendo deixado nada pelas meias medidas,  e apesar de muito pouco ter exibido  em vida, Davis produzia tela após tela.

Pintou principalmente para si próprio. “É para mim uma terapia”, disse, “e mantém a minha mente ocupada com algo positivo quando não estou a tocar.”

Sendo no entanto o intimidante Miles Davis, não foi propriamente fácil para ele, encontrar companheiros artistas que com ele comungassem. Quando pela primeira vez se dirigiu a Gelbard, diz a pintora : “Eu estava a morrer de medo! Mal conseguia falar”.

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Na altura Davis e Gelbard moravam no mesmo prédio em Nova York e a artista acabaria por descontrair o suficiente para lhe dar as desejadas aulas, vindo mais tarde a tornar-se sua namorada e colaborando com ele em trabalhos como a capa do álbum de 1989, Amandla.

Gelbard caracteriza assim o estilo de Davis:

A entrega com que Miles pintava não era a mesma com que tocava ou mesmo desenhava. Ele era tão minimalista e tão leve no seu som, na sua caminhada. O seu corpo era muito elegante; era um homem leve, de um de tipo delicado. Os seus esboços são claros, arejados e minimalistas , mas quando se entregou ao pincel e à tinta, foi mortal – era como uma criança com as tintas no jardim de infância. Ele misturava e mexia até ficar completamente besuntado com o excesso de tinta, ele adorava a textura e aquela sensação. Cobria toda a roupa, as mãos e o cabelo, e isto sim, para ele era divertido…

Miles também encontrou uma parceira na polifacetada criativa, música e pintora Joni Mitchell. Joni descreve assim como ele se lhe  dirigiu um dia: “Joni, eu gosto da pintura que tu fazes, belas cores, quero ir ver-te pintar. ”Davis, o seu herói musical, não gravaria com ela (embora ela viesse a descobrir mais tarde que ele tinha todos os seus discos) “ele falava comigo de pintura, mas não falava de música.”

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As pinturas de Davis são grosseiras e expressionistas, um contraponto à disciplina formal da sua música. (McGinley descreve sucintamente a sua pintura como uma “mistura nítida, ousada e masculina de Kandinsky, Jean-Michel Basquiat, Picasso e arte tribal africana”.) Ele não fez incursões no mundo da arte, mas a pintura tornou-se “uma linha lateral lucrativa”, observou o LA Times em 89. Amigos e colegas músicos como Lionel Richie e Quincy Jones compraram o seu trabalho. “A revista Du de Zurique comprou alguns dos meus esboços para uma edição especial que estão a preparar para mim”, disse Davis.

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Em 2013, apareceu um livro com edição de capa dura com uma recolha das suas pinturas, com um prefácio de Jones, provavelmente o mais ávido colecionador de Miles Davis.

Existem muitas outras vozes no livro , incluindo a do autor Steve Gutterman – que entrevistou Davis antes da sua morte e escreveu uma introdução – além de vários elementos da sua família que contribuíram com histórias pessoais.

Miles resume a sua própria “atitude refrescante e despretensiosa” em relação à sua arte numa breve declaração: “Não é assim tão séria”.

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Nota da redação: no texto original de Josh Jones, é repetidamente referida a  pintura como “a arte” em aparente contraponto com a música. Respeitamos na tradução este vício textual para não desvirtuar o original, com a certeza porém de que a criação musical é tanto arte quanto a pintura.


O artigo original: The Paintings of Miles Davis: Discover Visual Art Inspired by Kandinsky, Basquiat, Picasso, and Joni Mitchell, foi publicado @OpenCulture
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